Mais um revéillon inesquecível....sabe daqueles que nem deu tempo fazer pedidos? Eu só via cada desejo mais profundo meu se realizando mais rápido que a contagem regressiva. Casa cheia de amigos. Meus pais. Meus sogros. Mesa farta. Bebida, idem. Uma alegria no ar. Uma energia reconfortante. Tudo fluia com uma serenidade incrível. Depois a meia-noite, o sonho concreto de um belo anel no dedo. Meu querido fez tudo direito de novo. Ele tem aquele jeito calabres meio bravo, mas tudo o que faz é em grandes doses: dos gritos aos lindos gestos de amor. Ontem, fiquei tentando entender porque tudo tem de ser muito, beirando ao exagero. E na verdade, comecei a olhar de outra maneira. Porque temos de ser comedidos com a vida? Porque temos de fazer dietas em fez de nos empaturrar de comida boa? Porque temos de economizar se o dinheiro só serve para nos proporcionar o mínimo de bem estar? Porque temos de reprimir nossos sentimentos no lugar de gritar para o mundo nosso amor e até nossa raiva? Porque temos de contentar com uma lagoa se temos um oceano em nossa frente? Na verdade, o que chamava de exagero deve ser traduzido em abundância. Queremos mais e muito de amor, atenção, paz, dinheiro, solidariedade. Por isso, quando, finalmente, consegui chegar no mar, pular as sete ondas e fazer minha pequena oferenda a Yemanjá, só lembrava de falar obrigada. Acho que ela entendeu. Que só muito é suficiente:)
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...
Comentários
Postar um comentário