Pular para o conteúdo principal

Erice: uma cidade medieval para não fazer nada

Quando se fala que na Sícilia encontramos de tudo, é a mais pura verdade. Sabe aqueles cidadezinhas lindinhas com ruas estreitas, casas floridas, pequenos bares e a sua população, geralmente, idosa, sentada na praça?  Aliás, a cidade tem o apelido  ‘Il Nullafacente’, em português algo como ‘quem não faz nada’. Então é isso, mas não é só.

Erice foi palco de várias disputas e batalhas. O povo que habitava ali era o Elimo, que fundaram a cidade no século V a.C.; décadas mais tarde a cidade foi conquistada por árabes, romanos e normandos. E tem tudo lá: igrejas, castelo, lindos jardins e uma vista espetacular que em dias claros, dá para ver até a Tunísia, além montanhas de sal das ilhas vizinhas, Egadi, que são deslumbrantes.

A igreja principal, o Duomo, fica ló na entrada da cidade e dá até para subir em suas torres se tiver disposição de encarar cerca de 200 degraus. Não é necessário por causa da vista, pois o melhor belvedere está mais acima no Giardino del Balio.

Por ele, se alcança o Castello di Venere, construído pelos normandos sobre o local onde, durante a Antiguidade, ficava um templo dedicado à deusa Vênus Ericina, na extremidade de um rochedo a prumo sobre um abismo. 

Um lugar super romântico. No dia que fomos, encontramos um cantor de músicas italianas que tinha uma carruagem para fotos. É uma daqueles experiências para se guardar na memória. A outra é visitar a confeitaria Maria Grammatico que fabrica doces de amendôas de comer de joelhos. A simpática dona tem sua história contada em um livro - que autografa enquanto dá expediente no caixa - que além das receitas, traz o segredo guardado por ela que aprendeu com as freiras a arte da pasticeria.

A cidade fica pertinho de Palermo e Trapani, dá para fazer um bate e volta. De Trapani, tem um teleférico que sobe até lá por 10 euros. A estrada é aquela coisa apertadinha de sempre, mas com cuidado, vale a pena. Ainda mais se pegar um dia de sol... com nuvens, Erice parece mesmo cenário das Brumas de Avalon :)


Catedral de Erice

Igreja de San Giovanni


Na porta do Castelo de Vênus

A vista do jardim

O autógrafo de dona Maria

A foto no Belvedere

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ceraudo: um oásis na Calabria profunda

A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...

Pantalica: um cemitério incrustado em rochas

Visitar cemitérios faz parte de alguns roteiros turísticos como o Pere Lachaise em Paris que tem túmulos de pessoas famosas como Honoré de Balzac,  Maria Callas, Frédéric Chopin, Eugène Delacroix, Molière, Yves Montand, Jim Morrison e  Edith Piaf. Agora imagina um com mais de 5.000 tumbas datadas dos Séculos XIII ao VII a.C? Claro que não sabemos quem foi enterrado por lá, mas é uma passeio pelo pré-história visitar a Necrópole Rochosa de Pantalica. O nome deriva do grego πάνταλίθος = lugar das pedras ou do árabe buntarigah = lugar das cavernas, mostrando mais uma vez as influências na Sicília. Pantalica está localizada em um platô envolto por cânions formado pelos rios Anapo e Calcinara. Chegando lá dá para escolher duas trilhas distintas: uma mais longa e outra um pouco mais acessível. Pela Vale Anapo, a trilha tem cerca de 10km na antiga rota entre Siracusa e Vizzini.  A outra é ser feita pela Sella di Filiporto, começando da região de Ferla ou, pelo outro lado, em So...

Villa Del Casale: um retrato em mosaico da vida no campo

Uma outra parada obrigatória para quem gosta de testemunhar a história com os próprios olhos é a V illa del Casale que está no centro da Sicília, situada nos arredores de Piazza Armerina. O que mais impressiona no local, declarado Patrimônio da Humanidade em 1997, são mais de 3.500 metros de mosaicos praticamente intactos. O segredo da conservação foi a lama que cobriu a casa depois de um terremoto. Ainda hoje, pode se ver equipes de antropólogos com os rostos cobertos por máscaras, tentando limpar alguns dos 24 mil azulejos que decoram maravilhosamente os diferentes aposentos. A Villa tinha em torno de 60 ambientes, muitos voltados para a saúde e relax dos anfitriões e frequentadores. Havia dormitórios, fornos para esquentar as águas, sauna, locais de banhos, sala de massagens, salas de repouso, frigidário (banho frio), banheiros, aqueduto, etc. Dá para perceber a divisão entre uma área de lazer e uma mais privada, possivelmente, dedicada apenas aos moradores. Uma curiosidade: o banh...