Ontem acompanhei a procissão do Santa Maria de Porto Salvo em Gallico Marina (bairro de Reggio di Calabria). É uma daquelas tradicionais festas onde a Santa percorre as ruas do povoado e depois segue pelo barco em dois outros bairros. Como a tradição fala mais alto, meu namorado insiste em fazer o trajeto todo remando. É um bonito ato de fé, de coragem e força. Pois, ele levou cinco de nós, bravamente, por 2 mais de duas horas e a maior parte do tempo, ao lado do barco da Santa. Apesar de preocupada com o esforço e de ter dó das mãos cheias de bolhas, fiquei orgulhosa da forma que ele respeita suas raízes, sua terra, sua gente. Quando um homem sabe de onde veio, com certeza é fácil saber onde vai. Nosso primo milanês já havia brincado que eu devia aprender o grito de guerra: Viva Maria ! Ore e Sempre! que seria útil neste programa. Mas foi mais que útil. Foi emocionante também. E depois, claro, houve uma jantar espetacular com toda aquela comida de praxe. Uma verdadeira Páscoa antecipada!
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...
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