Cá estamos com a nossa metade italiana a postos para um mês de verão na Itália. O roteiro está pronto com Sardegna, Costa Amalfitana e Puglia. Estou ansiossísima. Mas cheguei ontem em Milão e quando desembarquei, ao fazer uma pergunta a um policial, ele quis saber se eu estava a passeio ou a negócios. Eu respondi: Férias! E ele retrucou: Em Milão??? Como seu eu fosse uma E.T. Hoje, passeando pela centro, entendi perfeitamente aquela expressão. O verão transforma a capital da moda e elegância em uma cidade-fantasma. Não tem ninguêm na rua fora alguns turistas desavisados ou de passagem, como eu. As principais lojas estão fechadas com cartazes se desculpando e avisando que só reabrirão em setembro. A loja Armani, na Via Manzoni, fechou hoje às 4 da tarde. As balconistas estavam com tanta pressa de me atender e ir embora e olha que eram só 2h. Luini, o panzerotti mais famoso da cidade também está de férias. E na livraria Hoepli tem um aviso que permanecerá aberta em agosto indo no contrafluxo do comércio em geral. Assim como em São Paulo, as pessoas fogem para o Guarujá, em Nova York para Hamptons, aqui o fim de semana é um convite para ir "al mare". O calor é úmido e tudo o que você pensar em entrar em um carro e ficar com ar condicionado ligado, exatamente como em São Paulo onde até congestionamento fica bom assim. No metrô, a coisa piora pois além de não ter refrigeração, o número de trens é reduzido ( afinal o maquinista tem de aproveitar o estate) e a turma aqui não gosta de banho como nós...então, tem aquele cheirinho desagradável de suor. O que fica de bom em Milão são as liquidações de verão, pois as lojas reabrem com a coleção de inverno e claro, saborear o melhor sorvete italiano, porque ninguém é de ferro!
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...

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