A língua italiana é uma das lindas e sonoras que conheço. Como sempre fez parte da minha vida, me remete a infância, a momentos inesquecíveis no colo do meu avô, ao sotaque do bairro em que fui criada (salve, Penha!) Eu já havia estudado um pouco lá trás e voltei agora porque tenho que me comunicar com a turma da Itália, principalmente os sogros que moram em Regio Calabria. Devo dizer que mesmo que me esforce, vou falar o italiano de Dante, a língua inventada na Academia sem os sotaques engraçadissimo do povo lá do Sul. Pois bem, a pergunta é será que vou conseguir chegar lá? Tenho feito porcamente aulas duas vezes por semana. E faço uma confusão danada com o espanhol e muitas vezes com o inglês. Ontem eu abusei: li a palavra merci como se fosse "obrigada" em francês, o que na verdade quer dizer "bens" em italiano. Na sinapse, em que o Tico tem de falar com o Teco, essa Torre de Babel em minha cabeça, acaba me apavorando porque, para mim, é essencial entender e me fazer entender. Voltando ao meu avô, em seus últimos anos de vida, ele teve Alzheimer e simplesmente esqueceu o português. Cantava, falava e reclamava tudo em Vêneto. A gente achava graça. Mas agora estou louca para fazer a minha tecla SAP funcionar e eu sair falando: Amore Mio!!!! Bem melhor que o Tony Ramos, em Passione. Basta!
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...

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