Quinta-feira, Dia de Ação de Graças, um sentimento de gratidão e de felicidade havia me invadido. Era um dia lindo de sol, a brisa na praia era suave, o trabalho tinha sido agradável, o jantar saboroso. Na sexta-feira, veio o reverso da moeda. Um dia nublado, vento de derrubar a roupa na varanda, não almocei e ainde perdi meu celular no hall do meu prédio. É engraçado que mesmo sendo aquele objeto que eu mais gostava - tinha até capinha rosa - era e continua sendo um objeto. Mesmo assim, uma certa melancolia tomou conta de mim. Pela desatenção e acima de tudo por quem pegou e não entregar na portaria. Fica uma insegurança e também um pouco de descrédito no que acredito ser um valor máximo do ser humano: a honestidade. Ter essa fé arranhada doí mais do que o prejuízo em si. Mesmo porque já estou com outro chip e outro aparelho que ganhei ( tá vendo como nem dá para reclamar????) . Mas hoje eu acordei com esse questão de dois dias tão diversos, refletidos inclusive no tempo. Sempre aprendi que para haver luz, tem de ter sombra. Se só se sabe que algo é doce depois de experimentar o amargo. Que só se o escuta o silêncio se deixar o barulho ir embora. O que eu gosto mesmo é que entre o preto e o branco existe um matiz de cinzas que tantas vezes ignoramos. Hoje, estou assim. Descobrindo os meus cinzas dentro de mim, enquanto tento restabelecer a conexão com o mundo lá fora com um novo celular.
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...

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