O país está em crise. Dizem por aí e se lê todos os dias nos jornais. O que acontece é que existe uma forma de encarar o trabalho e exercer exageradamente La Dolce Vita. Vejam esse exemplo: estamos em um lugar de turista no fim da alta estação. Com o fim do verão, o movimento em Lampedusa, apesar do sol intenso, tende a diminuir. Fomos aconselhados a almoçar em um restaurante em frente ao mar que se chama Port'n'Toni. Ao chegar lá, por volta de 15 hs, a resposta que recebemos era que a cozinha tinha fechado e que não era possível nem fazer um sanduíche. Comentei que no Brasil, um lugar como aquele ficaria aberto direto e a resposta que recebi foi que este era o costume italiano. Que aqui se almoça e se janta com horários pre-determinados. E mais, que não encontraríamos nenhum lugar para comer. Bem, atravessamos a baía e encontramos o Tunez, onde fomos atendidos por uma família muito simpática e havia tudo quanto e tipo de comida. Os dois negócios eram antigos e se via fotos da família. O primeiro, presunçoso, já com a geração jovem no comando não se importava com o cliente. O segundo, por sua vez, estava lá a mae, a filha,o irmao, as netas, todos trabalhando e responderam claramente: estamos aqui para servi-los. E se estamos em tempo de crise, a única saída para enfrenta-lá e trabalhando mais e se adaptando aos novos tempos.
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...
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