Não sei quantas vezes já fui para o aeroporto, mas sempre é uma situação desconfortável. Fico apreensiva com o trânsito na Marginal, se vou checar atrasada, se o vôo está atrasado, se o cara da revista vai ser legal e não ficar vasculhando minha bolsa, se ao chegar, na migração mesmo com passaporte italiano, ele comece a fazer mil perguntas. É tanto se. E agora, viajando com esse bilhete da TAM que tenho porque minha sobrinha é aeromoça, a maior incerteza é SE vou embarcar ou não. Já que só entro no avião se sobrar lugar. Nunca fiquei em terra, mas dá um frio na barriga toda vez que eu entro na fila e começo a ouvir estórias e mais estórias que não ajudam muito. Agora mesmo diz que há 40 passageiros querendo voltar de Milão e nada. No fim dá tudo certo, vale a dor de estômago. E de avião, eu não tenho nenhum medo. Entro, me ajeito, tomo um remédio, acordo próximo da aterrisagem, lavo rosto, passo um pouco de maquiagem e pronto. Sei que do outro lado da porta tem um italiano com um ramalhete de rosas vermelhas me esperando. Tudo de bom!
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...
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