O trânsito nas cidades italianas sempre foi caótico e a imagem que a gente vê em filmes é retrato fiel do que acontece nas ruas. Não é por falta de educação, multas ou fiscalização. Diria que é parte do cárater deles xingar, estacionar em qualquer lugar, não obedecer faixas e sinais. Meu namorado não foge ao estilo e é um stress ser passageira dele. Na autoestrada, então, nem se fala. A regra é simples. Pista com duas faixas: velocidade máxima permitida 110 km por hora. De três faixas ou mais: 130 km. Vai dizer que isso é pra lá de bom quando se está no volante de uma Ferrari, um Porsche, uma BMW ou qualquer outro carro que com uma aceleradinha chega aos 200 km por hora ? Para conter um pouco essa fúria, a Polícia Rodoviária de lá instalou um sistema conhecido como Tutor. Funciona assim: você passa por um radar e o carro é fotografado. Quilomêtros à frente, um novo radar registra de novo a sua passagem e calcula o tempo entre um ponto ao outro. Se está acima da velocidade média, você é multado. Não é como aqui, que brecamos quando cruzamos o radar e voltamos acelarar no minuto seguinte. O sistema de lá mede a velocidade constante. É mais inteligente e cruel. Fizemos uma perigrinação em três cidades para que ele pudesse recorrer de 6, eu disse SEIS multas recebidas em um único dia na mesma estrada. Alegando que não se pode punir pelo mesmo delito várias vezes, falta de sinalização do sistema e outras coisitas mais, ele recorreu. Resultado: um multa já foi cancelada. Outra, terá de pagar. A terceira, a resposta será em março e as outras ainda aguardam julgamento. Nesta forma, o jeitinho brasileiro não teria nenhuma chance....
A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...
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